
por Renan Pinheiro
Criado no século XIX pela Marinha Brasileira com o propósito de guiar embarcações que navegavam pelas águas de Itapuã, o Farol acabou tornando-se um local turístico e um ponto de encontro de amigos e namorados. Agências de turismo divulgam sua imagem para o mundo, mostrando as singularidades da Bahia. Entretanto, com o defasado sistema policial do local, assaltantes protagonizam cenas de furto a mão armada e acabam por afastar os visitantes. A baixa promoção de atos festivos também contribui para a desvalorização do local.
A transformação do Farol de Itapuã, antes integralmente militar, em área turística é, segundo moradores, um fenômeno recente. Há vinte anos atrás, apenas árvores e animais de espécies distintas compunham o espaço físico. A visitação era feita por pescadores e por profissionais da Marinha que trabalhavam no Farol. A comercialização, por meio de barracas e vendedores ambulantes, só integrou o lugar depois. “As primeiras barracas apareceram há dezoito anos”, afirma Tereza Holanda, 54, barraqueira em Itapuã.
Com uma estrutura de aço e gerenciado por um sistema automático de informação, o Farol realiza diariamente as suas funções. Antes, quando não era otimizado por um processo automático, a sua projeção luminosa mar adentro era feita manualmente por um profissional denominado Faroleiro. Mas, com o advento da tecnologia informatizada, não se faz mais necessário. O Faroleiro, agora, desenvolve trabalhos de manutenção, como o conserto da maquinária.
Ampliado o número de visitantes, a constituição do Farol como ponto turístico seria feita facilmente. Amigos tomaram o lugar como referência para encontros e, à noite, representava o ninho de amor de casais apaixonados. “A freqüência de namorados é grande”, completa Vera Lúcia Santos, 20, moradora de Itapuã que está quase todos os dias no Farol para um banho de mar. Para a estudante Cláudia Bitencourt, 19, que se desloca do bairro de Nova Brasília para o Farol, “a água de Itapuã é maravilhosa. É um lugar lindo de se ver. O Farol deixa mais bonita a paisagem”, afirma.
Em contrapartida, estão os problemas sociais comuns em cidades que apresentam um quadro empregatício deficiente, como Salvador. O maior entrave para moradores e barraqueiros tem sido o índice de assaltos. Este fator leva ao afastamento dos turistas, refletindo economicamente na região. Segundo Tereza Holanda, “sem segurança não dá para trabalhar, É assalto de dia e de noite. Temos que fechar as barracas mais cedo senão somos assaltados”.
Quem concorda com Tereza é o pescador João Batista, 58, conhecido popularmente como Sapo. “Não temos mais sossego. A prefeitura não olha para o lado de cá. Vivemos com medo”, reclama. Há ainda, segundo o pescador, a transformação do Farol em um reduto de usuários de drogas. Muitos deles, jovens que não têm uma perspectiva de crescimento social.

Lazer
Com a onda de assaltos que acontecem dia após dia no Farol de Itapuã, tem diminuído a quantidade de pessoas que visitam o local. Várias são as soluções levantadas pelos moradores, mas há um consenso de que se houvesse uma oferta maior de eventos no local, facilmente o ponto turístico seria visitado com mais freqüência. “Shows na praça Vinícius de Moraes seria um exemplo. Com as festas populares, o Farol iria ganhar muito. Diversas pessoas iriam querer conhecer a história dele”, sugere Tereza Holanda.
Não há dúvida entre os moradores que a criação de eventos festivos aliados à segurança bem feita propiciariam a melhora do lugar, gerando mais renda para a população e ampliando o interesse das pessoas em saber um pouco mais acerca da história do Farol de Itapuã. Uma construção legitimamente militar que, ao longo dos anos, sofreu um processo de mutação simbólica, sendo hoje uma referência turística da Bahia para o mundo. No entanto, o local onde está instalado enfrenta problemas que reclamam uma atitude imediata da prefeitura.
(junho de 2003)

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