
por Renan Pinheiro
Como acontece com algumas localidades antigas, a Lagoa do Abaeté mantém suas lendas e contos folclóricos longe de serem esquecidos. Moradores compartilham histórias que, segundo estudiosos, remontam aos primeiros habitantes da lagoa, os índios. São inúmeros os mitos, mas alguns relatos ganham destaque devido ao grau de curiosidade que despertam nas pessoas. Para resguardar as lendas, existe no Abaeté um projeto chamado Nativo. Uma organização sem fins lucrativos, composta por moradores das proximidades.
Cantada em verso por Dorival Caymmi que a denominava “lagoa escura arrodeada de areia branca”, diversas foram as interpretações para explicar a origem do Abaeté. “Diz a lenda que as águas surgiram do choro da Iracema”, afirma a estudante Márcia Miranda, 12, freqüentadora do lugar. Ela se refere a uma espécie de sereia de água doce que teria se apaixonado por um índio da tribo que habitava a região. As areias, de acordo com a versão de Márcia, teriam sido originárias do véu da noiva com quem o índio iria se casar. O nome do indígena era Abaeté, que depois foi transformado em um boto pela sereia, cheia de ciúmes. De acordo com a lenda, ele ainda vive, triste, vagando pelas profundezas.
Outra lenda é muito comentada pela comunidade circunvizinha. Segundo os moradores, homens casados não podem rondar as águas da lagoa sozinhos, pois, a qualquer momento, eles podem ser atraídos pela sereia. “Essa história é antiga e muita gente acredita”, diz o comerciante Antônio Carlos, 35, proprietário de um bar próximo a lagoa. É fácil constatar o quanto esses mitos exercem uma influência na vida dos moradores, abastecendo a imaginação de cada um.
Criada ouvindo as lendas, Márcia Miranda que, além de estudar mora perto da lagoa, é um exemplo dessa capacidade que os mitos têm de penetrar no cotidiano dos moradores. “Eu tinha medo de entrar na lagoa para tomar banho quando era pequena. Até passar por perto, à noite, eu não gostava”, afirma Márcia. Com o comerciante Antônio Carlos não é diferente. “Minha mãe não gostava que eu fosse sozinho a lagoa”, relembra.
Conscientização
No Abaeté e desenvolvido um trabalho informativo sobre as lendas e projetos ambientais da lagoa, para freqüentadores e turistas. Nativo, como é denominado, é coordenado desde 1988 por Antônio Conceição*. Segundo ele, como há um conjunto de histórias que envolvem a formação da localidade, outras serão sempre criadas como parte de um processo espontâneo. “A comunidade sempre vai criar um fato novo”, completa.
Crianças e adolescentes que moram na comunidade integram a equipe do projeto. Batizado de Meninos do Abaeté, eles são preparados para atuar na conscientização da preservação ambiental do Abaeté e manutenção dos contos mitológicos que a cercam. É o caso de Carlos Silva, 13, um dos integrantes do projeto. “Aqui, além de ensinar a preservar a natureza, nós falamos sobre as lendas para todo mundo”, relata Carlos, que se diz muito feliz por fazer parte do trabalho.
De forma educativa e cultural as lendas representam, para muitos, uma referência da localidade, bem como exercem uma forte influência no dia-dia dos moradores. Alimentam a imaginação e contribuem para a criação da identidade. Para se ter mais informações sobre os mitos, está disponível na internet o site: www.gruponativodeitapua.kit.net. Ele é mantido pelo projeto Nativo e serve como forma para se conhecer um pouco mais acerca dessas lendas.
(junho de 2003)
*O líder comunitário e ambientalista Antonio Conceição foi assassinado em 2007.

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ok!!!!!!
eu quero que conte uma lenda do abaete
Manifesto em defesa da Lagoa do Abaeté
A Bahia é uma terra Sagrada, onde o misticismo está presente a cada centímetro, milímetro de terra, a magia que envolve sua extensão instiga a mistura de Raças, Credos, e Sabedorias, desenvolvendo um misticismo impar em toda humanidade, direcionando os povos para uma comunhão de Cultos, Idéias, e Culturas. Em conseqüência desta particularidade, é provocada a criação de uma arte diferente a tudo que já foi produzido na Humanidade, a Bahia é Singular e Plural, não se prendendo às amarras da rotulação determinada pelos núcleos Sociais até hoje desenvolvidos pela natureza Humana.
Entre suas belezas encontramos a Lagoa do Abaeté, tão bem cantada pelos grandes compositores e reverenciada pelos Sábios Eruditos. Lagoa de águas negras e místicas, que alimentam lendas das mais incríveis, envolta de uma vegetação escassa e rara, tendo sua base em areias tão brancas quanto o leite, que em noite de lua refletem a luz branca e mágica do luar. Esta é mais uma região baiana em que a lógica é sobrepujada pelos sentimentos, servindo de palco para os mais diversos cultos da religiosidade Humana.
Abaeté, palavra de origem indígena que tem como significado Homem bravo, Sábio e Experiente, esta denominação ofertada pelos nossos ancestrais nativos, nos deixa claro que as riquezas místicas desta linda Lagoa, já perduram desde as primeiras civilizações abancarem-se na região. O presente reforça este sentido, visto a luta que trava a linda Lagoa para manter sua presença e as garantias de manutenção para todas as vidas que abriga e que dela diretamente depende. Em um esforço para continuar sendo testemunha do desenvolvimento Humano, apesar de não receber o mínimo de respeito desta raça, que tanto usufrui de sua existência.
Hoje, nossa linda Lagoa do Abaeté arqueja esvaindo-se em uma carência do liquido mais precioso da Humanidade. A transgressão do trato Humano devasta toda sua flora, assassina sua fauna, sepulta e dissolve suas dunas, rouba suas areias(para as mais diversas e inusitadas aplicações), despoja matérias orgânicas, transformando a linda paisagem presenteada pela mãe Natureza em um palco ridículo, horripilante com formas frias e grotescas de cimento, pedras e tijolos, sufocando a respiração de suas areias com o malvado asfalto e o perverso concreto. È desta forma que agradecemos a simplicidade de sua beleza, a magia do seu feiticismo, a grandeza do seu resplendor, oh! Bela Lagoa.
Nem tudo está perdido, acredito ainda haver homens de pureza d’alma, grandeza em atitudes, responsabilidades em seus atos, que consigam enxergar tudo aquilo que a ambição e o poder faz ocultar, no enganoso sentimento que o desenvolvimento não pode existir em comum com a preservação do ambiente propicio a proteção e manutenção da Natureza. Fundamentado neste sentimento, convoco todos que se enquadrem nas descrições acima, para agruparem-se em pró da defesa do direito de continuar a existir da Lagoa do Abaeté, com finalidade de garantir para nossa posteridade a possibilidade de desfrutar da beleza, magia e sabedoria, que a natureza tão gentilmente nos cedeu.
Vamos à luta que o caminho é longo, acidentado, e hostil, mas, unidos venceremos, até mesmo porque, a inteligência sempre sobrepôs à covardia e a ambição dos poderosos.
Jorge Francisco
Integrante da ONG Nativo
Jorge,
Conte sempre conosco para divulgar as iniciativas que busquem garantir a sobrevivência da lagoa e qualquer outro ecossistema que alguns grupos tentam privatizar ou substituir por concreto.
Abç
Soteropolitanos