
por Priscila Rodrigues
Eles estão por toda a parte no bairro de São Cristóvão, muitas vezes até no meio das ruas, dificultando o tráfico de carros, ônibus, pessoas, bicicletas e motocicletas. Os vendedores ambulantes se espalham pela Avenida São Cristóvão e pela Rua Aliomar Baleeiro, onde fica a Igreja da Matriz. Todos eles compõem a feira de São Cristóvão. Barraquinhas de frutas misturadas a poças de água suja, cachorros passeiam livremente ao lado de alimentos, cascas e bagaços de frutas empilhados deixam o ar desagradável. Não é difícil entender porque ambulantes e moradores se queixam tanto a respeito do descaso da prefeitura com a feira, e não são só estes que se queixam. Policiais e motoristas de transporte público também. Todos os dias as barraquinhas são armadas por volta das 6h e desmontadas depois das 18h.
Os feirantes que montam suas barracas no asfalto não quiseram falar a respeito. O morador do bairro há mais de 10 anos Jurandir Pereira, 65 anos, comentou que eles têm medo do rapa e preferem fazer seu trabalho da maneira que conseguem. Já a feirante, que preferiu ser identificada somente como Lindinalva, 44 anos, e trabalha no ramo há 19 anos, mesmo com muita hesitação e medo conversou comigo. Tinha sua barraca armada na frente de uma loja em reforma e falou que teve autorização e exclusividade do espaço da calçada concedida pelo proprietário da loja. Não quis tirar fotos e reclamou por um espaço. “Não tem um lugar para trabalhar. Eu queria um lugar”. Lindinalva terminou a nossa conversa falando sobre a situação das barraquinhas em dias de chuva, pois, a rua fica cheia de lama. Segundo ela, carros jogam lama nos alimentos que ainda serão comercializados.
Quando passei por uma barraca que dividia espaço com entulhos, folhas secas, madeiras velhas, sacos de lixo e tinha um chão de terra batida, encontrei as jovens Taíse, 12 anos e Giuliane, 14 anos. A mãe das meninas não autorizou que elas me dissessem seu sobrenome. Elas ajudam a mãe todos os dias na venda de banana, melancia, entre outras frutas e me explicaram que a maior dificuldade enfrentada por elas é a lama provocada pela chuva e a poluição que ônibus e topics liberam sujando os produtos. “A gente ajuda minha mãe aqui, que inclusive bota remédio de rato para melhorar o lugar. Já apareceram ratos, mas depois do remédio acabou”, disse Taíse, que conversou comigo sentada ao lado de uma porta velha, dentro da barraca. Elas usam cadeiras velhas da escola pública que fica próxima a barraca e apesar das condições em que se encontravam, procuravam manter o lugar organizado.

Ao lado de uma farmácia na Praça da Matriz estava Lucas Silva, 13 anos, que disse ajudar sempre seus pais na barraquinha que montam todos os dias ali. Para ele, a falta de água é um problema sério que dificulta a manutenção da higiene nas barracas. O jovem comerciante disse que a estrutura da feira poderia melhorar, mas não gostaria de transferir a barraca de lugar por conta da clientela e do espaço bom que dispõem. Apesar de ter lixo acumulado em frente à barraca, o rapaz que acompanhava Lucas e não quis se identificar garantiu que a coleta de lixo é feita todos os dias.
A Praça da Matriz, situada na Rua Aliomar Baleeiro, é o lugar onde há a maior concentração de barracas. A praça, que deveria ser um local de lazer para a população, se transforma em um mercado a céu aberto onde crianças em suas bicicletas disputam espaço com os clientes das barraquinhas da feira. Márcio Alves Barreto, 35 anos, é morador do bairro, cliente e disse que os moradores já se acostumaram com a presença das barraquinhas na praça. Ele defende os ambulantes e diz com firmeza: “A preocupação geral aqui dos barraqueiros é a padronização das barraquinhas”.

Comerciantes e vendedores das lojas situadas na Rua Aliomar Baleeiro comemoram o movimento que as barracas trazem, mas lamentam o descaso da prefeitura que, segundo a vendedora de loja localizada na rua e moradora do bairro Jaira Azevedo, 25 anos, deveria colaborar mais cuidando da limpeza e conservação das ruas. “Acho que deveria ter um local apropriado para montar as barracas. Vai fazer um ano que a prefeitura falou que iria fazer e não fez”, diz ela, repetindo uma das reclamações constantes.
Para aqueles que não andam muito pelo bairro, a impressão mais marcante é à disposição das barracas. “Pra gente que não anda por aqui tá tudo bem. Só não entendo porque as barracas estão no meio da rua”, comentou Lauro Ferreira, 58 anos, que passava pela primeira vez no bairro. Para aqueles que moram ou vivem o seu dia a dia por ali as barracas também são um problema. Como para a policial Daluz, 41 anos, que fazia plantão na Sede da 29° Cia de Polícia, situada no Ed. Vera Cruz na Praça da Matriz e disse que a desorganização das barracas dificulta a sua visibilidade e que faltam banheiros químicos no local.
Melhorias futuras
Odília Martins, da Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesp), disse através de uma mensagem por correio eletrônico, que a Sesp tem em vista um projeto destinado a feira de São Cristóvão para o segundo semestre do próximo ano (2008). Ela relatou que o projeto visa a melhoria da feira, tanto em termos de estrutura (revitalização das barracas, equipamentos deficientes seriam trocados, entre outros serviços), quanto na qualificação dos feirantes. Segundo ela, cursos de treinamento e manipulação de alimentos abordando questões de higiene e técnicas de alimentos serão ministrados pelo SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e viabilizados através de uma parceria da Sesp e o Sindicato dos Feirantes.

Odília Martins terminou o e-mail descrevendo o atual trabalho da Sesp. Ela disse que ações de fiscalização ocorrem quinzenalmente, pelos finais de semana, onde existe um maior movimento de pessoas, quando é observado se os feirantes ultrapassam o espaço determinado atrapalhando o trafego de veículos ou impedem a livre passagem dos pedestres pelo passeio. Odília defende que os fiscais da Sesp verificam também a forma como o alimento é vendido e exposto, se o feirante tem autorização prévia para comercializar, se ele vende em carro de mão, o que é proibido por lei, entre outras verificações. Constatada alguma irregularidade, o comerciante é devidamente notificado, e pode ter suas mercadorias apreendidas, caso persista no erro. Quem sabe em breve teremos uma feira com melhores condições no bairro de São Cristóvão? Só resta esperar.
(outubro de 2007)
Arquivado em: CIDADE
Como podemos notar,o segundo semestre de 2008 já está terminando, e a promessa de melhorias na rua principal do nosso bairro não foram feitas. Continua com esse crescimento desorganizado e essa sujeira insuportável.
Agora o que nos resta é a esperança para 2009, pois os governantes só lembram da gente no ano político, depois tudo passa como um relâmpago.
Puta que pariu. Tráfico de carros é foda, viu, priscila rodrigues!
eu e minha família moramos no interior pequeno e pensamos em montar uma barraca de vender beiju. gostaria de saber se vocês tem como me indicar um local onde podemos comprar os aparelhos. obrigada